O consumidor não é bobo. Pode demorar um pouco para perceber a mentira, ou como está sendo enganado, mas hora ou outra descobrirá a farsa.
Na verdade, quem se engana na maioria dos casos são as empresas que acham que uma pequena doação ou pequeno envolvimento com uma causa nobre, fará milagres na sua imagem de marca.
Para aqueles que pensam tomar parte em causas sociais ou aderir à onda da sustentabilidade com a única função de “ficar bem na foto”, cuidado. Em pouco tempo o efeito pode ser contrário. E o tiro pode sair pela culatra.
A sustentabilidade tem que estar na raiz da sua empresa. Tem que fazer parte do DNA da sua marca. Ou perde autenticidade. Soa falso, hipócrita e, por consequência, contribuirá negativamente.
Se fizer, faça bem feito. Ou melhor nem fazer.
Para ilustrar o que estou dizendo, encontrei esta fábula de Millôr Fernandes.
Chegou o miserável milionário no céu e, impacientemente, esperou a sua vez de muita gente, melhorei as condições sociais de muita gente.
- Não, isso não serve - disse o Todo-Poderoso - essas acções estavam implícitas ao acto de você enriquecer. Você as praticou porque precisava viver melhor. Não foram intrinsecamente boas acções, desprendidas, não servem.
O milionário escarafunchou o cérebro e não encontrou nada. Em verdade, passara uma vida egoísta, pensando apenas em si mesmo. Nunca o preocupara seu semelhante, nunca olhara para o ser humano a seu lado senão como uma fonte de lucro para as suas indústrias. Mas, de repente, lemboru-se das obras de filantropia.
- Ah - disse, puxando uma caderneta - aqui está. Uma vez dei cem cruzeiros para uma velhinha da Casa dos Artistas, outra vez contribuí com duzentos cruzeiros para o Hospital dos Alienados e outra vez contribuí com quinhentos cruzeiros para a Fundação das Operárias de Jesus.
- Só ? - perguntou Deus.
- Só - disse o milionário contrafeito.
- Josué! - gritou o Todo-Poderoso -, dê oitocentos cruzeiros ao cavalheiro aqui e que vá para o Inferno.
Moral: Amor com amor se paga e o dinheiro com dinheiro também.